Brasil
O histórico cinturão cacaueiro da Bahia e uma crescente fronteira amazônica
O Brasil é um grande produtor de cacau e também um dos maiores consumidores e moedores de cacau, de modo que grande parte de sua safra é absorvida internamente. A história cacaueira do país é dominada pelo sul da Bahia, onde o cinturão Ilhéus–Itabuna foi desenvolvido sob a sombra nativa da Mata Atlântica do sistema agroflorestal da 'cabruca'. A produção baiana foi devastada pela vassoura-de-bruxa a partir do final da década de 1980; a recuperação tem se apoiado em clones tolerantes à doença e em um crescente setor bean-to-bar de cacau fino.
A produção está cada vez mais diversificada. O Espírito Santo, especialmente Linhares no baixo vale do Rio Doce, tem altos rendimentos com plantios irrigados a pleno sol, enquanto os estados amazônicos — Pará (com Medicilândia, na Transamazônica, frequentemente citada como o maior município produtor individual, e a agrofloresta diversificada SAFTA de Tomé-Açu) e Rondônia, de crescimento mais rápido — respondem por uma parcela crescente da produção.
Geneticamente, as populações baianas há muito estabelecidas são esmagadoramente derivadas do Amelonado; estudos de plantações bicentenárias relatam variedades locais como Comum e Parazinho como quase puro Amelonado dentro do grupo Forastero da taxonomia moderna (Motamayor et al. 2008). A bacia amazônica mais ampla, incluindo o território brasileiro, é o centro da diversidade genética natural da espécie. Várias origens, incluindo Linhares e Tomé-Açu, possuem indicações geográficas brasileiras.
Origens em Brasil (8)
Fontes
- Motamayor et al. 2008, PLoS ONE 3(10):e3311 (genetic clusters)
- Almeida et al. 2015, 'Genetic History of Cacao Plantations in Bahia, Brazil', PLOS ONE, https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0145276
- USDA FAS, 'Brazil's Role in the Global Cocoa Landscape', GAIN report BR2025-0028
- Agência Pará, 'Pará has the highest cocoa productivity in the world', https://agenciapara.com.br/news/67827/